Associação Brasileira de Rochas Naturais participou de reunião liderada por Alckmin que discutiu os impactos da nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos
O governo brasileiro e representantes da indústria nacional iniciaram uma série de articulações contra a tarifa extra de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Nesta terça-feira (15), a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) participou da primeira reunião do recém-criado Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, realizada em Brasília, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O encontro reuniu lideranças empresariais de diversos setores e membros do alto escalão do governo federal para discutir os efeitos imediatos da nova política tarifária americana, que tem previsão de vigência a partir de 1º de agosto. A medida já está gerando impactos, como a suspensão temporária de pedidos por parte de importadores norte-americanos.
Representando o presidente da Centrorochas, Tales Machado, o superintendente Giovanni Francischetto participou da reunião e teve a palavra durante as discussões. Em sua fala, ressaltou a importância estratégica do mercado americano para o setor brasileiro de rochas naturais, que tem nos Estados Unidos o seu principal destino exportador.
“Exportadores brasileiros têm recebido comunicações de clientes solicitando a retenção de embarques até que haja clareza sobre os prazos e a efetiva aplicação da tarifa”, afirmou Francischetto durante o encontro.
Reações e articulações
Na reunião, houve consenso entre os representantes de que buscar novos mercados, neste momento, não é suficiente. A prioridade é intensificar o diálogo diplomático com os EUA, buscando postergar a entrada em vigor da tarifa por ao menos 90 dias, enquanto se articulam soluções negociadas.
O comitê foi criado no dia anterior (14), por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com a regulamentação da Lei de Reciprocidade Econômica, e terá como função coordenar a resposta brasileira a sanções comerciais de países parceiros.
A Centrorochas, por sua vez, está conduzindo uma série de ações institucionais e diplomáticas. Entre elas, destaca-se o diálogo com o Natural Stone Institute (NSI), dos Estados Unidos, que promove nesta semana uma agenda em Washington, reunindo entidades americanas do setor para debater os impactos da nova medida com o governo norte-americano.
A associação também mantém diálogo com a Emerald, maior organizadora de eventos do mundo e responsável pela feira KBIS, referência no setor nos Estados Unidos. A empresa enviou carta à ApexBrasil, destacando a relevância econômica dos setores representados pela Centrorochas e pela Abimóvel (móveis).
A Centrorochas também se colocou à disposição da ApexBrasil para participar das rodadas de negociação com representantes do governo americano, reforçando uma postura colaborativa e propositiva frente aos desafios.
O peso dos EUA no setor de rochas
Em 2024, os Estados Unidos foram responsáveis por 56,3% das exportações brasileiras de rochas naturais. No primeiro semestre de 2025, o setor registrou recorde histórico com US$ 426 milhões exportados ao mercado americano, um crescimento de 24,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O estado do Espírito Santo concentrou mais de 94% desse volume, consolidando-se como líder nacional no segmento.
A Centrorochas continua monitorando os desdobramentos do cenário e atuando junto a autoridades e parceiros institucionais, com o objetivo de contribuir para soluções que garantam segurança jurídica, previsibilidade nas relações comerciais e manutenção da competitividade no mercado internacional.
Representantes da indústria presentes na reunião
Entre os participantes do comitê, estiveram representantes de importantes entidades da indústria brasileira:
Francisco Gomes Neto (EMBRAER)
Ricardo Alban (CNI)
Josué Gomes da Silva (FIESP)
José Velloso (ABIMAQ)
Haroldo Ferreira (ABICALÇADOS)
Janaína Donas (ABAL)
Fernando Pimentel (ABIT)
Paulo Roberto Pupo (ABIMCI)
Paulo Hartung (IBÁ)
Giovanni Francischetto (CENTROROCHAS)
Edison da Matta (SINDIPEÇAS)
Cristina Yuan (Instituto Aço Brasil)
Daniel Godinho (WEG)
Fausto Varela (SINDIFER)
Bruno Santos (ABRAFE)
Alexandre Almeida (RIMA)
Também participaram ministros como Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Simone Tebet (Planejamento), Rui Costa (Casa Civil) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), além de representantes do Itamaraty.



