Exportadores do Espírito Santo, um dos estados mais dependentes do comércio exterior no Brasil, reagiram com otimismo cauteloso às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23).
Após impor uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo café e rochas ornamentais dois dos principais itens da pauta exportadora capixaba, Trump surpreendeu ao afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “pareceu um homem muito legal” e que os dois concordaram em se encontrar na próxima semana.
A fala foi recebida como sinal de possível reaproximação entre os dois países, em meio ao clima de tensão gerado pelo chamado “tarifaço”, em vigor desde 6 de agosto.
Setor produtivo reage
“Sem dúvida alguma é uma ótima notícia. Fomos até pegos de surpresa, afinal, nada apontava para isso”, disse Fábio Cruz, vice-presidente do Centrorochas, entidade que representa os exportadores de rochas ornamentais no Brasil.
O setor de rochas é o mais impactado pela medida, já que cerca de 82% das exportações brasileiras de pedras naturais para os EUA têm origem no Espírito Santo. A cadeia produtiva nacional gera aproximadamente 480 mil empregos diretos e indiretos.
No café, outra força da economia capixaba, produtores ainda aguardam definição sobre possíveis exceções às tarifas. O grão brasileiro já enfrenta dificuldades logísticas com cancelamento de embarques e contêineres retidos no Porto de Vitória.
Clima de incerteza
A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) classificou as tarifas como “arbitrárias” e defendeu maior diversificação de mercados para reduzir a dependência dos Estados Unidos.
Apesar do tom positivo após a fala de Trump, lideranças do setor avaliam com cautela os desdobramentos. A preocupação é que a questão comercial acabe condicionada a interesses políticos, o que pode dificultar uma negociação estável e previsível.
Enquanto isso, o governo federal estuda medidas emergenciais para amenizar os impactos do tarifaço, entre elas linhas de crédito subsidiadas com a exigência de manutenção de empregos.
O que esperar
O eventual encontro entre Lula e Trump reacende esperanças de reversão parcial das tarifas ou de redução da alíquota, hoje fixada em 50%. Empresários acreditam que um gesto político pode abrir caminho para negociações mais técnicas no âmbito comercial.
Até lá, o setor produtivo do Espírito Santo segue dividido entre o otimismo com o aceno diplomático e a incerteza sobre os efeitos práticos das medidas já em vigor.




