O mês de setembro é significativo para a comunidade surda, marcada por celebrações como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, em 21 de setembro, e o Dia Nacional do Surdo, em 26 de setembro. Nesse contexto, a Secretaria de Educação de Vitória promoveu o IV Colóquio Bilíngue, realizado na Praça da Ciência, com a temática “Educação de Surdos: do Ensino da Língua à Tecnologia”.
O evento teve como objetivo aprofundar as discussões sobre as práticas pedagógicas voltadas para a educação de surdos na rede municipal e analisar o uso de recursos tecnológicos no ensino de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e Língua Portuguesa.
Atualmente, a rede municipal de ensino de Vitória conta com 49 crianças e estudantes surdos matriculados, dos quais 32 são sinalizantes e 16 não sinalizantes, demonstrando o compromisso da cidade com a educação inclusiva. O colóquio reuniu educadores, especialistas e estudantes para um dia de reflexão, aprendizado e troca de experiências, com uma programação diversificada voltada para o fortalecimento das práticas bilíngues nas escolas.
O evento, realizado nos turnos matutino e vespertino, trouxe uma série de palestras e apresentações culturais, abordando desde o ensino de Libras até o uso de tecnologias no processo de aprendizagem dos estudantes surdos. Toda a programação contou com a participação de tradutores intérpretes de Libras, garantindo acessibilidade para todos os participantes.
Foto Divulgação

Colóquio para discutir a educação de surdos e o uso de novas tecnologias.
Contribuições e reflexões
As apresentações e palestras foram um convite à reflexão sobre os avanços e desafios da educação de surdos em Vitória. A Dra. Virgínia Maria Zilio, por exemplo, abordou questões como a necessidade de qualificação contínua dos professores e o papel fundamental da Libras no processo de inclusão. Ela destacou a importância de tornar as escolas um espaço verdadeiramente bilíngue, onde as crianças surdas possam desenvolver tanto a Língua Portuguesa quanto a Libras de maneira integrada.
A professora Ana Carla Kruger Leite trouxe à tona a inovação tecnológica como um aliado do ensino, apresentando como o pensamento computacional e a inteligência artificial podem ser usados para potencializar a aprendizagem de crianças surdas, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento de competências linguísticas.
O evento também proporcionou a oportunidade de conhecer pesquisas desenvolvidas pelos próprios educadores da rede municipal de Vitória, como a dissertação do professor Carlos Eduardo Soares, que investigou a produção literária nas escolas referência em educação de surdos. A professora Eliane Telles de Bruim Vieira, por sua vez, discutiu a importância das políticas públicas para a consolidação da educação bilíngue de surdos, destacando os avanços e as metas futuras para a educação inclusiva no município.
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Colóquio para discutir a educação de surdos e o uso de novas tecnologias.
Apresentações culturais
Além das palestras, o evento também foi marcado por apresentações culturais que envolveram os professores e estudantes das escolas referência, como apresentações de música e teatro em Libras. Essas apresentações, além de enriquecedoras, foram um importante momento de vivência da cultura surda, permitindo que os participantes compreendessem de forma mais profunda as diversas formas de comunicação e expressão dentro da comunidade surda.
A Secretária de Educação,Juliana Rohsner esteve no evento e ressaltou a importância da educação bilíngue para a inclusão e desenvolvimento dos estudantes surdos. Em sua fala, a secretária destacou o impacto positivo das políticas públicas adotadas em Vitória, especialmente o trabalho desenvolvido pelos professores de Libras e Bilíngues, que são essenciais para o processo de aprendizagem e aquisição linguística das crianças e estudantes surdos.
“O Colóquio Bilíngue se consolidou como um importante espaço de troca de saberes e experiências, promovendo o debate sobre os desafios e as inovações na educação de surdos. O evento reforçou o compromisso com a inclusão e a valorização da diversidade linguística e cultural, propondo novos caminhos para a construção de uma educação cada vez mais acessível e transformadora para todos os estudantes”, completou.




