Arquivo Público de Vitória: estudantes aprendem na prática como preservar documentos históricos
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Os estudantes conheceram as práticas de conservação dos documentos realizadas no Arquivo Municipal
Guardião da história de Vitória, o Arquivo Público Municipal aplica técnicas científicas de conservação em diferentes documentos, desde publicações oficiais, jornais, manuscritos, projetos arquitetônicos e fotografias, por exemplo. Nas rotinas diárias de classificação, manipulação e arquivamento, o Arquivo também produz conhecimentos sobre a memória da cidade e sobre a preservação dos registros do passado.
Esse trabalho silencioso e essencial despertou o interesse do professor doutor Luiz Carlos da Silva, da disciplina Preservação de Documentos, do curso de Arquivologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ele e 16 alunos da faculdade tiveram a oportunidade de vivenciar o Arquivo Público Municipal, suas instalações, os diferentes tipos de arquivos e os procedimentos adotados para conservação do acervo.
Entre os materiais apresentados estavam registros raros, testemunhos diretos da formação e da trajetória administrativa da capital capixaba. Como a carta em nome do REY D. JOÃO IV, enviada à Villa de Victoria, para que sejam abastecidas de donativos as embarcações com destinos entre o Rio de Janeiro e Bahia. O documento foi escrito pelo secretário Affonso de Barra Caminha, por ordem do Marques de Montalvão (Jorge de Mascarenhas, vice-rei do Brasil, 1640-1641), em 23 de outubro de 1646.
Arquivo Público Municipal
Teoria e prática
A atividade começou com uma apresentação no auditório da Escola de Governo, onde foram detalhadas as técnicas de preservação documental e as estratégias utilizadas para minimizar os efeitos do tempo sobre os suportes físicos da informação. Em seguida, os alunos percorreram as dependências do Arquivo, conhecendo a rotina de conservação, organização e salvaguarda dos documentos oficiais do município.
Segundo Ewerton Nicolau, a experiência teve um significado especial. “Foi a primeira vez que estudantes de uma disciplina do curso de Arquivologia puderam vivenciar, de forma estruturada, o cotidiano de trabalho de quem atua diretamente na conservação documental, ampliando a compreensão sobre os desafios e responsabilidades da área”, disse.
Os estudantes também puderam ver como os processos digitais complementam o cuidado com o acervo físico. “Não podemos substituir os documentos históricos por cópias digitalizadas, mas a digitalização é uma ferramenta importante no Arquivo, atualmente, para a preservação das informações, caso haja danos no suporte de papel, por exemplo”, explica Ewerton Nicolau.
Curiosidades históricas
A coleção de jornais, com exemplares do início do século XIX, impressionou os estudantes. Como não eram feitos para durar, os diários eram produzidos com papel de baixa qualidade, com alta quantidade de lignina – um componente da madeira que oxida rapidamente ao entrar em contato com a luz e o oxigênio, tornando o papel amarelo e quebradiço. A acidez do papel também contribui para degradar o material rapidamente.
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Experiência Acadêmica – a tarde começou com uma apresentação no auditório da Escola de Governo.
“Nós armazenamos os exemplares em local escuro, seco, sem o uso de clipes ou grampos metálicos – que também oxidam e enferrujam o papel – e com controle de temperatura e umidade do ambiente”, contou Vadilson Malaquias, que integra a equipe do Arquivo.
“O Arquivo Público Municipal é um verdadeiro laboratório de práticas arquivísticas. Este tipo de visita técnica aproxima os conhecimentos acadêmicos da realidade prática, de quem lida, todos os dias, com a proteção da memória institucional do município”, diz o arquivista e responsável técnico pelo Arquivo, Ewerton Silva Nicolau.
Nicolau lembra que o setor é muito procurado por diversos profissionais e estudantes de todos os níveis acadêmicos para fins de pesquisa histórica. Nesse encontro com a turma do professor e alunos de Arquivologia da Ufes, o Arquivo foi reconhecido como um espaço de aprendizado, um laboratório.
A visita técnica foi realizada no último dia 15 de abril. Ao abrir suas portas para a formação acadêmica, o Arquivo Público Municipal de Vitória reafirma-se como um espaço ativo de produção de conhecimento, onde o passado é cuidadosamente preservado para seguir dialogando com o presente e fomentando novas descobertas.





