Uma nova história: ladeira Modesto de Sá Cavalcante passará por completa transformação
Leonardo Duarte
Lançamento do edital para construção da ciclopassarela entre os bairros Fradinhos e Romão.
A ladeira Modesto de Sá Cavalcante, entre Fradinhos e Romão, vai passar por completa transformação. O novo cenário que vem por aí vai incluir obras com instalação de concreto antiderrapante, luminárias modernas e acessibilidade total. A ladeira é uma antiga passagem, utilizada por estudantes para fazer a travessia para ir e voltar da escola. Em períodos de chuva, o trajeto se torna desafiador. A obra da prefeitura representa uma nova realidade, que traz melhor acessibilidade e segurança.
A Prefeitura de Vitória anunciou a transformação dessa antiga travessia e o novo cenário que vem por aí vai substituir o barro por concreto antiderrapante, o caminho escuro por luminárias modernas, a insegurança por acessibilidade total.
Imagine agora: as crianças sairão de casa rumo à escola com um sorriso no rosto. Em vez de desviar de poças, eles vão pisar em rampas suaves e escadas firmes. Segurarão em corrimãos resistentes – um para cada mãozinha. Sentirão sob os pés o piso tátil que guia até a porta da sala de aula. E, na volta, ainda vão encontrar bancos para descansar, uma praça com parquinho, e sombra de árvores nativas como pitangueira e jabuticabeira.
Não será mais uma ladeira. Será um passeio público iluminado, florido, cheio de vida. Os pais vão respirar aliviados; as crianças vão correr livres. De um lado, Fradinhos; do outro, Romão. E no meio, a beleza da Pedra dos Olhos como testemunha.
São 300 metros lineares de pura transformação. R$ 1,6 milhão investidos não apenas em obras, mas em infância, dignidade e futuro. O projeto já saiu do papel. O edital está lançado. Em breve, a ladeira que um dia foi lama será lembrada como o lugar onde a cidade aprendeu a cuidar de quem mais precisa: as crianças que, passo a passo, constroem o amanhã.
A situação é conhecida de perto por quem vive na região. Em dias de chuva, o barreiro impede a passagem e mancha o uniforme dos alunos. A falta de corrimão e de iluminação já provocou quedas e mantém os pais em constante estado de alerta. A vereadora Mara Maroca lembrou que a espera já durava décadas: “Não é uma obra qualquer, é um investimento que vai trazer dignidade para as pessoas que esperaram mais de 40 anos”. O sentimento é o mesmo do líder comunitário de Jucutuquara, Francisco Guzzo, ex-aluno da escola. “Estudei ali há 30 anos e sei como era difícil passar por aquele local. Hoje, ver essa imagem é satisfatório”, celebrou.
Leonardo Duarte
Lançamento do edital para construção da ciclopassarela entre os bairros Fradinhos e Romão.
Segurança e Lazer
A nova paisagem vai unir segurança, lazer e contemplação da natureza. O projeto, elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (Sedec) em diálogo com os moradores, prevê a construção de rampas e escadas de concreto antiderrapante, garantindo a acessibilidade plena com a instalação de piso tátil direcional e de alerta. A via, de 300 metros lineares, receberá mobiliário completo para se tornar um espaço de convivência.
A presidente da Associação de Moradores de Fradinhos, Aneris Pauzen, destacou que a parceria com a gestão foi fundamental: “A gente caminhou com o pessoal da Sedec e mostrou nossas preocupações. Estamos muito felizes com o resultado”. Para o vereador Professor Juscelino, que registrou a saga das crianças mesmo sob chuva forte, a obra é uma questão de respeito. “Em um dia de temporal, 98 alunos não conseguiram ir à escola. Essa obra vai acabar com isso, trazendo dignidade”, afirmou.
Quem mais comemora são as estudantes Olivia da Silva Basilho e Kimberly Freitas da Silva, que resumiram o sentimento de quem todos os dias superava o medo de escorregar: “Vai ser melhor para todo mundo, com mais iluminação e um caminho prático para a gente”.
Cuidado
Para a prefeita de Vitória, Cris Samorini, o cuidado com cada detalhe do projeto reflete muito mais do que uma simples intervenção de infraestrutura: é a construção de um caminho de cidadania. “A escuta da comunidade, o entendimento do desafio, os 300 metros… parece algo tão simples de executar. Mas a gente cuidou para que não fosse só uma passarela, ela levasse dignidade”, afirmou a prefeita.
Samorini explicou que a aparente simplicidade dos 300 metros escondia uma complexidade técnica e um zelo especial com o bem-estar da vizinhança: “Para cuidar da posição certa do parquinho, para integrar ao meio ambiente de uma forma que não ficasse aquele ambiente como uma passarela, mas para que vocês saíssem de casa e se sentissem no caminho da dignidade. Essa é a transformação que a gente está cuidando. Parece simples, mas é transformador”.
Com o edital já publicado, a previsão é de que, concluído o período de licitação, a obra seja executada em 180 dias. A prefeita aproveitou o anúncio para reforçar que a intervenção também carrega um forte simbolismo de integração territorial e social, demolindo barreiras históricas que separavam os bairros.
“Desde a divisão da cidade, nós tiramos as barreiras que existiam. Esse caminho de 300 metros reforça ainda mais a não necessidade de ter esse distanciamento, porque o estudante que está aqui no Romão é o mesmo de Jardim Camburi. A gente não tem que ter diferença mais nessa cidade”, declarou, revelando que a prioridade constava no caderninho de demandas desde o início da gestão e que foi um compromisso direto do prefeito junto à comunidade.






