Novela joga luz sobre projeto de saúde mental para assistentes sociais em Vitória
O lema “Quem Ama Cuida”, tema central da nova novela das 21 horas da TV Globo (escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto), encontrou eco em uma política pública que já é realidade na capital capixaba. Desde 2024, a Secretaria de Assistência Social de Vitória (Semas) desenvolve o projeto “Pit Stop”, voltado especificamente ao bem-estar e à saúde mental dos servidores que atuam na linha de frente dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e Centros pops.
Desenvolvida pela Gerência de Média Complexidade (GMC), a iniciativa completou dois anos de atividades focada em promover pausas estratégicas de autocuidado para equipes expostas ao estresse e carga emocional na jornada de trabalho. Na última quinta-feira (21), o projeto realizou mais uma ação do seu “Pit Stop”: levou os trabalhadores do turno noturno do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) ao cinema para assistir ao filme “O Diabo Veste Prada”, utilizando a obra como ponto de partida para debates sobre relações trabalhistas.
A gerente da GMC, Fabíola Calazans, explicou que, desde sua criação, o projeto Pit Stop foi pensado como uma pausa planejada e organizada pelas próprias equipes de forma integrada à rotina de trabalho, com o objetivo de promover momentos de integração, escuta e fortalecimento coletivo no ambiente institucional. As pausas podem incluir atividades físicas, meditação, visitas aos parques, espaços culturais e outras ações voltadas ao bem-estar e à convivência entre os trabalhadores. “O Pit Stop busca contribuir para o cuidado coletivo e o fortalecimento dos vínculos entre as equipes que atuam diretamente nos territórios e nas diversas expressões da questão social”, destacou.
As mobilizações emocionais, físicas e relacionais são evidenciadas pela rotina desgastante do serviço e, assim, a ação se torna necessária. Segundo a coordenadora do SEAS, Luciana Gatti, os profissionais lidam diariamente com graves violações de direitos, violência extrema, vulnerabilidade social, uso abusivo de substâncias e vivências de rua.
O cotidiano do SEAS é marcado por desafios operacionais que demandam ações estratégicas contínuas, dada a dinâmica do atendimento. A iniciativa busca fortalecer as competências relacionais e o suporte estratégico aos profissionais que atuam na ponta. Segundo a coordenadora do SEAS, Luciana Gatti, o trabalho é pautado pelo acolhimento em cenários de alta complexidade, que envolvem desde violações de direitos e vulnerabilidade social extrema até o uso abusivo de substâncias e os desafios inerentes à vivência de rua.
“Utilizamos a obra para analisar, sob uma ótica técnica, as dinâmicas de poder e a importância da manutenção de ambientes produtivos e saudáveis”, explicou Gatti. Segundo a coordenadora, o encontro permitiu refletir sobre protocolos de saúde mental no SUAS e o equilíbrio necessário entre o desempenho profissional e a qualidade de vida.
Para viabilizar a dinâmica sem desamparar a população, a Semas organizou um esquema de plantão alternado. “Como o SEAS é um serviço essencial que não pode parar, outros trabalhadores mantiveram o atendimento noturno para que os colegas pudessem participar”, pontuou Fabíola Calazans.
A secretária de Assistência Social de Vitória, Carla Scardua, manifestou forte apoio à continuidade e ao fortalecimento do projeto iniciado em 2024, associando diretamente a valorização contínua do trabalhador à qualidade do serviço entregue à população.
“Esse olhar atento ao bem-estar dos nossos servidores, sustentado ao longo do tempo, reflete diretamente na excelência do atendimento na ponta e na garantia efetiva dos direitos sociais das famílias que mais precisam”, afirmou a secretária.





