Centro de Convivência Solon Borges transforma salas em espaços de sensibilização contra violências – Prefeitura de Vitória

Centro de Convivência Solon Borges transforma salas em espaços de sensibilização contra violências



Divulgação Semas

Centro de Convivência Solon Borges transformas salas em espaços de sensibilização contra violências

A rede intersetorial de serviços que atua no território socioassistencial da região Continental promoveu atividades, intervenções reflexivas e apresentações culturais no Centro de Convivência Solon Borges, com o propósito de sensibilizar a sociedade sobre as consequências e os riscos da violência sexual contra crianças e adolescentes, além de incentivar o engajamento no combate a esse tipo de crime. O espaço recebeu munícipes atendidos pelos serviços, além de famílias e moradores da região.

Um painel produzido com a técnica de xilogravura coloriu uma das salas com gérberas amarelas e laranja, contrastando com a parede preta ilustrada com o rosto da menina Araceli Crespo, vítima de um brutal assassinato ocorrido em 18 de maio de 1973. A comoção gerada pelo caso motivou a sociedade civil e o Congresso Nacional a instituírem, por meio da Lei Federal nº 9.970/2000, o dia 18 de maio como a data oficial de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Na sala, montada pelo educador social, Diego dos Santos, com participação das crianças e adolescentes responsáveis pelas xilogravuras, os visitantes eram convidados a demonstrar apoio desenhando flores ao redor do rosto de Araceli. Foi o que fez Maria de Araújo, de 81 anos, integrante do grupo de pessoas idosas do Centro de Convivência de Maria Ortiz.

Segundo ela, a atividade é de extrema importância. “Essa atividade é muito importante e nós precisamos proteger nossas crianças e adolescentes”, afirmou.

Já Daniela de Souza Araújo, mãe de Sofia, de 9 anos, Gabriela, de 4, e Pietro, de 3, destacou que o tema precisa ser debatido diariamente dentro de casa.

“Como mãe, a gente fica triste em ter que falar sobre isso. Mas eu converso muito. Na minha casa, sempre comentamos sobre o assunto. A mãe que se cala diante disso é pior. Não podemos ficar caladas”, defendeu.

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Daniela relatou ainda que a participação da filha mais velha nas atividades facilitou o diálogo familiar.

“Antes, ela ficava muito calada, mais fechada. Agora está mais falante, e isso facilita o nosso diálogo”, comentou.

Se o tema já é delicado e doloroso para adultos, é fácil imaginar o impacto sobre as crianças. Aruna, de 9 anos, permaneceu por alguns instantes diante de uma impressora cenográfica, confeccionada em cartolina, que exibia reproduções de notícias antigas sobre o caso Araceli, além de mensagens manuscritas com desejos de notícias mais acolhedoras para a infância.

Concentrada nas reportagens, Aruna apenas se virou para dizer: “É assustador. Fico muito triste com essa notícia”, antes de deixar a sala sem querer interagir mais, atitude que foi respeitada pela equipe.

Outro espaço que provocou forte sensibilização foi a “Trilha Reflexiva”. Durante o percurso, as educadoras sociais Kevelyn Pissarra, como guia, e Hana Figueredo, como narradora, conduziam os participantes por reflexões sobre o que deveria significar viver a infância, destacando como esse período da vida é interrompido pela violência quando faltam proteção e cuidado.

A coordenadora do Centro de Convivência Solon Borges, Ana Carla Martins, explicou que a proposta foi proporcionar à comunidade uma experiência capaz de gerar maior impacto emocional e conscientização.

“A gente distribuía folhetos, mas sentia que as pessoas não se sensibilizavam. Hoje conseguimos vê-las indignadas, revoltadas. Acho que alcançamos nosso objetivo de sensibilização, alerta e incentivo à denúncia”, comentou.

Ana Carla também ressaltou a importância da atuação da rede intersetorial para ampliar o engajamento e a participação dos moradores do território. A rede Continental é composta por serviços vinculados à Secretaria Municipal de Assistência Social, como o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Bento Ferreira; o Centro de Convivência Solon Borges para Crianças e Adolescentes; os Centros de Convivência para Pessoas Idosas de Maria Ortiz e Jardim da Penha; o Abrigo Institucional para Pessoa em Situação de Rua (Abrigo 2), em Jardim Camburi; e o Acessuas Trabalho, além de instituições parceiras como a AMAES, Rede ABBA e Associação Batista de Educação e Ação Social (ABEAS).

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A gerente de Serviços de Convivência, Cristina Silva, ressaltou o principal objetivo da ação.

“Promover a proteção integral e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, mostrando que toda a sociedade deve ser um escudo para as nossas crianças e adolescentes”, destacou.

A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, também enfatizou o dever do município na proteção da infância.

“A assistência social atua diretamente na garantia de direitos e na proteção das nossas crianças e adolescentes. Quando ocupamos o espaço público com as famílias, fortalecemos os vínculos comunitários e criamos uma rede sólida de cuidado para impedir a violação desses direitos”, frisou a secretária.

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