Guardas de Vitória participam curso nacional de atendimento a mulheres em situação de violência
André Sobral
Agentes da Guarda de Vitória no curso nacional de atendimento a mulheres em situação de violência.
André Sobral
Agentes da Guarda de Vitória no curso nacional de atendimento a mulheres em situação de violência.
Agentes da Guarda Civil Municipal de Vitória (GCMV) participaram do Curso Nacional de Atendimento a Mulheres em Situação de Violência, promovido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, na última semana.
Ao todo, 40 guardas municipais participaram da capacitação de nível “operador para atuação na Patrulha Maria da Penha”. O curso contou com instrutoras de diversas regiões do Brasil. Uma delas foi a oficial investigadora da Polícia Civil do Ceará Lidiana Mendes, responsável pela disciplina sobre concessão de medidas protetivas pelo Poder Judiciário.
“O objetivo é que o profissional de segurança pública consiga compreender as diversas situações com as quais pode se deparar quando uma mulher buscar ajuda. Esse profissional precisa internalizar esse conhecimento para a sua vida, porque o aplicador da lei também precisa ter essa consciência dentro da própria família e ser exemplo de que a mulher deve ser reconhecida como um sujeito de direitos”, explica Lidiana.
Composição do curso
A formação aborda temas como Legislação Aplicada à Violência Doméstica e Familiar, Rede de Enfrentamento e Atendimento às Mulheres, Concessão de Medidas Protetivas pelo Poder Judiciário e Oficina de Simulações Práticas de Atendimento.
As disciplinas combinam conhecimentos teóricos e atividades práticas, preparando os participantes para atuar de forma eficiente, acolhedora e integrada à rede de proteção às mulheres.
Quem também ministrou aula foi a tenente-coronel Renata, da Polícia Militar do Distrito Federal, que apresentou à turma conteúdos sobre gestão de risco no atendimento a mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
“A maior parte das mulheres que morrem vítimas de feminicídio nunca registrou uma ocorrência. Por isso, não podemos julgá-las; precisamos fortalecê-las para que rompam esse ciclo. Uma das portas de entrada da rede de atendimento é justamente o acionamento das forças de segurança. Ou seja, cada chamado para as forças de segurança representa um pedido de socorro”, pontua a tenente-coronel.
Já a subinspetora Aline Oliveira, coordenadora da Inspetoria de Defesa da Mulher da Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte, destaca que a proposta do curso é capacitar equipes para oferecer acompanhamento contínuo às vítimas.
“A ideia do curso é capacitar equipes para que consigam dar essa segunda resposta, realizando visitas periódicas a essas mulheres e ajudando-as a reconstruir sua autonomia, para que possam retomar suas rotinas de forma segura. O objetivo é construir, junto à rede de proteção, encaminhamentos que permitam à mulher seguir em frente mesmo após um episódio de violência.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que muitas mulheres não procuram as instituições de segurança para pedir ajuda por não confiarem nelas. Além disso, a percepção de grande parte da sociedade é de que as forças de segurança atuam apenas no combate à criminalidade nas ruas. A proposta das Patrulhas Maria da Penha é justamente promover um policiamento de proximidade, fazendo com que a mulher se sinta segura para buscar ajuda, amparada pela instituição e confiante de que terá garantidos seu direito de ir e vir e os demais direitos assegurados às mulheres”, destaca.
André Sobral
André Sobral
Ampliação do conhecimento
Responsável pelos cursos de aperfeiçoamento da corporação, a gerente de Formação e Atenção Psicossocial (GFAP), Annelise Alves, explica que o objetivo da capacitação é reforçar a preparação dos guardas municipais para atuarem de forma cada vez mais efetiva.
“Atualmente, todo o nosso efetivo já possui capacitação para atender, de forma humanizada e articulada, qualquer situação de violência contra mulheres e meninas. Agora, recebemos um conteúdo mais específico e nivelado nacionalmente para a atuação na Patrulha Maria da Penha. Tudo isso com base nos marcos legais vigentes, nos princípios dos direitos humanos e nos protocolos operacionais de acolhimento, proteção e encaminhamento das vítimas”, analisa.
O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher exige preparo, sensibilidade e atuação integrada entre as instituições. “Investir na capacitação da Guarda de Vitória é essencial para que nossos agentes estejam cada vez mais qualificados para acolher, orientar e proteger as vítimas. Este curso fortalece o trabalho da instituição em um enfrentamento que deve ser permanente e reafirma nosso compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e a promoção de uma cidade mais segura para todas”, destaca.
Formação contínua
A Guarda de Vitória mantém todo o seu efetivo, composto por 518 guardas municipais, capacitado para atuar no enfrentamento à violência contra a mulher.
Anualmente, os agentes participam de treinamentos específicos sobre atendimento a mulheres em situação de violência e acolhimento de públicos vulneráveis, preparando-se para identificar sinais de agressão, realizar escuta qualificada e orientar as vítimas sobre os mecanismos de proteção disponíveis.
Além disso, a corporação desenvolve ações preventivas nas escolas municipais, promovendo debates sobre respeito, igualdade de gênero e prevenção à violência.
A proximidade com a comunidade é uma das principais ferramentas para combater a violência contra a mulher.
“A presença constante dos guardas nos bairros fortalece a confiança da população e facilita a identificação de situações de risco. Nossos agentes são preparados para acolher, orientar e agir com rapidez, garantindo que as vítimas tenham acesso à proteção necessária”, afirma Annelise Alves.
Esse trabalho é reforçado pelo Botão Maria da Penha, que permite resposta imediata da Central de Monitoramento e das equipes de patrulhamento, contribuindo para a proteção de mulheres com medidas protetivas na capital.
André Sobral
Agentes da Guarda de Vitória no curso nacional de atendimento a mulheres em situação de violência.
Foto Divulgação
Agentes da Guarda de Vitória no curso nacional de atendimento a mulheres em situação de violência.






