Dia do Gari: profissionais garantem limpeza e qualidade de vida em Vitória
No próximo sábado (16), é celebrado o Dia do Gari, uma data dedicada a reconhecer o trabalho essencial de profissionais que atuam diariamente para manter a cidade limpa e organizada. Em Vitória, esse esforço coletivo ganha dimensão nos números e, principalmente, na diversidade de funções desempenhadas por cerca de mil trabalhadores do setor.
Somente em 2025, foram coletadas aproximadamente 120 mil toneladas de lixo domiciliar na capital. Por trás desse volume expressivo está uma engrenagem humana que começa ainda na madrugada e atravessa o dia, com equipes distribuídas por diferentes regiões e frentes de atuação.
Os serviços vão muito além do caminhão de lixo que percorre as ruas. Entre os profissionais, estão os garis da coleta domiciliar, responsáveis pelo recolhimento direto nas residências; os trabalhadores da coleta manual, que atuam em áreas de difícil acesso, como morros; e os manipuladores de resíduos, que realizam a triagem dos materiais.
Também integram esse sistema os responsáveis pela coleta de resíduos inertes, como entulhos; os agentes da coleta seletiva, que contribuem para a destinação correta de recicláveis; e as equipes de varrição manual, que mantêm ruas e avenidas limpas diariamente.
Divulgação Central de Serviços
Os alpinistas recebem treinamentos especializados para atuar em áreas de alto risco.
Para quem vive essa rotina, o trabalho vai além da função. Gari há sete anos, Charles Lírio dos Santos destaca a importância da profissão e o aprendizado ao longo do tempo. “Quando eu entrei, não tinha noção do quanto essa categoria era essencial. Hoje tenho orgulho de dizer que faço parte de um trabalho que impacta diretamente a sociedade. Sem a gente, a cidade não anda”, afirma.
Ele conta que o dia começa cedo, com um momento coletivo de preparação. “A gente chega, faz uma oração, recebe as orientações e vai para a rua. Muitas vezes são locais difíceis, com sol forte ou chuva, mas seguimos sempre com um sorriso. O contato com os moradores também faz diferença, um ‘bom dia’, um abraço, isso motiva”, relata.
Apesar dos desafios físicos da função, Charles ressalta o sentimento de dever cumprido ao final do dia. “A parte mais difícil é o esforço físico e as condições do tempo. Mas o mais gratificante é chegar no fim do dia e saber que deu tudo certo, que ninguém se machucou e que a gente cumpriu nosso papel.”
Outras funções complementam esse trabalho e ajudam a preservar a infraestrutura urbana. É o caso dos profissionais que realizam serviços como limpeza de bueiros (bocas de lobo), capina, pintura de meio-fio e postes. Há ainda os roçadores, que utilizam equipamentos mecanizados para a manutenção de áreas verdes; os lavadores, responsáveis pela higienização de pátios de feiras livres e mercados públicos com caminhões-pipa; e as equipes de pintura mecanizada de meio-fio, que utilizam tecnologia para otimizar o serviço.
Entre as funções menos conhecidas está a do gari alpinista, responsável por atuar em áreas de risco, como encostas. Josué Corrêa da Silva explica que começou na coleta domiciliar, no período noturno, até migrar para a atividade especializada. “Hoje trabalho com corda, em encostas com ângulos de até 90 graus. É um serviço arriscado, mas temos treinamento e preparo para executar tudo com segurança”, destaca.
Histórias como a de Marcelo Siqueira, conhecido como Gari Bolt, mostram como a profissão também pode transformar vidas. Ele conta que o vínculo com a função começou ainda na infância. “Quando eu era criança, corria atrás dos caminhões de lixo e brincava com os garis. Sempre sonhei em ser gari”, lembra.
Marcos Salles
Marcelo Siqueira ficou conhecido como “Garibolt” desde que começou a correr.
Hoje, com cerca de 16 anos de profissão, Marcelo fala com orgulho da escolha. “É muito gratificante. Eu sou muito orgulhoso do que faço. A gente entende o impacto do nosso trabalho quando, por algum motivo, o serviço para”, afirma.
Além da rotina na limpeza urbana, ele também encontrou na corrida uma forma de crescimento pessoal e reconhecimento. “Através do trabalho, eu virei atleta e hoje sou uma referência. Já pensei em desistir em alguns momentos, mas a gente persiste. O carinho e o reconhecimento da população fazem tudo valer a pena”, destaca.
Mais do que números e funções, o Dia do Gari é um convite ao reconhecimento. São esses trabalhadores que, muitas vezes de forma silenciosa e em horários pouco visíveis, garantem não apenas a limpeza da cidade, mas também a saúde pública e o bem-estar da população.
A data reforça a importância de valorizar esses profissionais e também de conscientizar a população sobre o descarte correto de resíduos. Afinal, uma cidade mais limpa é resultado de um esforço coletivo, que começa com cada cidadão e se concretiza no trabalho diário dos garis.






