Dia das Mães: resgate da autonomia e convivência marcam celebração antecipada no Cras Santa Martha
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Um momento para refletir não só sobre o cuidado com os outros mas também sobre a importância do autocuidado. Assim foi o café da manhã prá lá de especial, realizado na manhã desta quarta-feira (6), no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Santa Martha, que celebrou, de forma antecipada, o Dia das Mães. A ideia de tomar um café da manhã diferente na companhia de várias outras mulheres do território, permitiu a elas compartilharem suas experiências.
“Não tenho festa em casa. Nunca festejamos. Nem estava lembrando que haveria comemoração de Dia das Mães aqui. Já criei meus oito filhos e cada um está no seu lugar, levando sua vida”. O relato sincero é de Elvaci Maria de Oliveira Christo, de 72 anos, enquanto participava da festa alusiva ao Dia das Mães promovida pelo Cras Alaídes dos Anjos – território Santa Martha.
Para a equipe do Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio (SAD), a presença de Dona Elvaci representou uma vitória coletiva. “Ela não saía de casa desde a morte do marido, ocorrida há quase dez anos”, revelou a educadora social, que acompanha a idosa no dia a dia.
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Ao ser questionada sobre o que sentia por estar ali, Dona Elvaci não escondeu a emoção: “realmente, não saio para lugar nenhum, apenas para a casa de um filho ou outro. Mas estou gostando de estar aqui. Ser lembrada é muito bom”, afirmou, referindo-se ao telefonema que recebeu reforçando o convite e garantindo o transporte para buscá-la. Elvaci foi uma das oito mulheres acompanhadas pelo SAD que utilizaram a van adaptada do serviço para chegar ao evento.
Já Ednéia Costa, 54, aguardava com entusiasmo pela celebração. “O Cras sempre celebra as datas comemorativas e, desde que comecei a participar, sinto-me apoiada e acolhida. A vida fica mais leve”, comentou. Ela relatou que chegou a se afastar das atividades por um tempo, mas sentiu falta do suporte. “Senti que precisava do acompanhamento dessa equipe”, disse.
O evento reuniu dezenas de mães e avós que exercem o papel materno. Fernanda Riguete, de 21 anos, celebrou seu primeiro Dia das Mães levando a filha Kimberly, de apenas quatro meses, para acompanhar a avó, Lilian Rigueti, 42, que é atendida no serviço. “Sempre participei como filha e neta. Agora, sinto-me muito bem também na posição de mãe”, celebrou Fernanda.
A coordenadora do Cras Santa Martha, Soraia Assis, destacou que momentos como esse vão além da festividade. “Nosso papel é garantir que essas mulheres compreendam que a convivência comunitária é um direito social fundamental. Quando tiramos uma idosa do isolamento, como fizemos com Dona Elvaci, estamos assegurando o direito à cidade e ao envelhecimento digno, fortalecendo os vínculos que a vulnerabilidade social muitas vezes fragiliza”, pontuou.
Reforçando a importância das políticas públicas, a secretária de Assistência Social de Vitória, Carla Scardua, ressaltou o impacto do serviço na rede de proteção. “Celebrar essas datas é uma estratégia de visibilidade para mulheres que, muitas vezes, dedicam a vida ao cuidado dos outros e acabam esquecidas. O Cras atua para reafirmar que o acolhimento e a escuta qualificada são direitos humanos básicos, garantindo que elas se sintam sujeitos de direitos e não apenas beneficiárias de auxílios”, finalizou.






