UAA: serviço de acolhimento de Vitória completa 6 meses de funcionamento
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A Unidade de Acolhimento Transitório Adulto (UAA) completou seis meses de funcionamento, tendo atendido 28 pacientes desde a sua abertura. O serviço, que faz parte da Rede de Atenção Psicossocial do município (RAPS), é pioneiro no Espírito Santo em oferecer acolhimento temporário e cuidados contínuos para adultos com uso problemático de álcool e outras drogas e em situação de vulnerabilidade social.
O serviço é composto por duas unidades, uma masculina e uma feminina, que têm como objetivo fortalecer o cuidado integral e garantir proteção social e condições adequadas para a continuidade do tratamento no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) e demais serviços. O local garante acompanhamento protetivo e terapêutico, enquanto o tratamento em saúde mental, álcool e outras drogas ocorre no Caps AD do município.
Uma das pessoas em tratamento por uso de substâncias atendidas na Unidade de Acolhimento, de 37 anos, é paciente do Caps AD há 11 anos, onde realiza tratamento para uso de substâncias. Há três meses, foi encaminhada para a UAA, um espaço onde, segundo ela, encontrou apoio, acolhimento e todo o suporte necessário.
“A UAA é uma novidade. Lá, aprendi a me reencontrar e a redescobrir minha essência. Estou aproveitando e muito essa oportunidade e quero avançar cada vez mais”, disse.
O munícipe relatou que perdeu a casa e o contato com a família em decorrência do uso de drogas. Hoje, ele afirma que a UAA trouxe novas perspectivas e expectativas para sua vida.
“Meu objetivo agora é me manter bem e me inserir novamente no mercado de trabalho, além de contribuir e ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo processo que eu vivi.”
A secretária de Saúde de Vitória, Magda Lamborghini, ressaltou que a Capital se soma a um conjunto ainda pequeno de municípios brasileiros que ofertam o serviço da UAA em sua RAPS.
“Em todo o Brasil, há cerca de cem Unidades de Acolhimento implantadas e habilitadas, e Vitória é pioneira no Espírito Santo. A implantação da Unidade de Acolhimento Adulto representa um passo fundamental para garantir proteção social a pessoas em situação de vulnerabilidade social e familiar decorrente do uso prejudicial de álcool e outras drogas. O serviço oferece acolhimento provisório, estrutura e um ambiente seguro para que o tratamento em saúde na nossa rede seja efetivo, especialmente para aqueles que desejam enfrentar a dependência química”, afirmou.
“Essa parceria é de extrema importância. Ter a oportunidade de contar com essas unidades faz toda a diferença, porque antes disso, muitas vezes, o paciente voltava para uma condição social muito vulnerável e sem apoio, o que dificultava a continuidade do tratamento. As Unidades de Acolhimento se tornam mais do que um espaço de cuidado; elas representam um equipamento essencial para garantir continuidade ao tratamento no Caps AD, oferecendo suporte e estabilidade para que o paciente possa reconstruir seu projeto de vida, fortalecer seus vínculos e se reinserir na sociedade e na família”, afirmou a diretora do Caps AD, Elaine Freitas.
Como funciona a UAA?
Cada unidade disponibiliza 15 vagas e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, em caráter residencial provisório. O acolhimento é destinado a adultos por um período de até seis meses, com acesso realizado exclusivamente por meio do Caps AD, serviço que realiza o tratamento e a gestão do cuidado ampliado sobre o uso de psicoativos.
No Caps AD, os usuários recebem acompanhamento multiprofissional voltado ao fortalecimento do protagonismo, da autonomia e dos vínculos familiares e comunitários, além de ações individuais e coletivas de cuidado e tratamento em saúde mental, álcool e outras drogas.
Entre os principais resultados esperados com a implantação deste serviço estão a redução de situações de vulnerabilidade social e risco pessoal associadas ao uso de substâncias psicoativas, bem como a diminuição de recaídas graves e do abandono do tratamento, além do fortalecimento do vínculo com a rede de saúde e serviços intersetoriais, a prevenção de agravos à saúde física e mental e o favorecimento da reinserção familiar, social e da autonomia das pessoas acompanhadas.
“A UAA tem como foco a reinserção social e familiar e o fortalecimento da autonomia dos usuários acolhidos. O tratamento para o uso prejudicial de álcool e outras drogas ocorre no Caps AD, enquanto as necessidades de moradia temporária e proteção são garantidas pela Unidade de Acolhimento. Os dois serviços atuam de forma integrada e articulada com outras políticas públicas, ampliando o cuidado necessário para esses pacientes”, explicou Rodrigo Scarabeli, referência técnica em Saúde Mental.





