Abrigo 1 celebra cinco anos de funcionamento com mais de 3,5 mil atendimentos socioassistenciais
Leonardo Duarte
Celabração dos cinco anos de funcionamento do Abrigo1.
O Abrigo Institucional de Adultos e Famílias de Vitória (Abrigo 1) mostra em números e cases de sucesso o motivo para celebrar com festa seus cinco anos de existência. Ao longo do período de funcionamento, dispondo de 50 vagas, o espaço realizou 3.772 atendimentos socioassistenciais. Para celebrar esse feito, na noite desta segunda-feira (13), uma linda festa foi realizada para comemorar os acolhimentos e histórias de superação que ali foram sediados.
Participaram da comemoração a prefeita de Vitória, Cris Samorini, secretários municipais, servidores da Secretaria de Assistência Social (Semas), além das pessoas acolhidas no espaço. A prefeita de Vitória, Cris Samorini, fez questão de agradecer a toda equipe do Abrigo 1 e entidades parceiras pelo trabalho que coloca o serviço como um case de sucesso no atendimento à pessoas em situação de rua na capital. “A gente sabe que na sociedade somente um protagonista não faz a diferença nós usamos todos para que todos façam a diferença”, falou ela.
Durante seu período de existência, o Abrigo possibilitou a inserção de 328 usuários na Educação de Jovens e Adultos (EJA), promoveu a inclusão de 312 pessoas no mercado de trabalho formal e informal e contribuiu para que 82 usuários alcançassem moradia após o período de acolhimento.
Vidas transformadas
Mesmo com pouco tempo em acolhimento no Abrigo 1, Leidyane Moura da Cunha, de 40 anos, disse que mesmo estando há apenas 20 dias no local já se sente bem melhor do que quando estava nas ruas. “Aqui, estou recebendo atenção, cuidado. Estou muito bem acolhida. Me sinto segura, protegida. Bem cuidada”, afirmou ela que fez questão de expressar em um cartaz afixado no local.
Wilson Rocha, 38, contou que não fazia ideia que existisse um local como esse voltado para pessoas em situação de rua. “Aqui, no Abrigo 1, estou me sentindo como se estivesse em um hotel cinco estrelas. Aqui, temos nossas roupas lavadas. Ficamos limpos e cheirosos. Minha mãe já ama este lugar, porque quando a gente conversa e me vê com rosto limpo, sorriso… ela percebe que estou bem. Tem regras. Tem cuidado”, disse ele.
Ao comentar sobre a existência de regras, Wilson foi direto: “aqui, a gente reaprende a cumprir regras. Isso é bom. Reaprendemos a ter bons modos, a ter objetivos, a se comportar para conseguir superar. Tem regras de incentivo ao estudo, a se mexer para conseguir um emprego. Nas ruas, não existem regras, mas é dureza. A rua maltrata. A dor aparece no rosto”, afirmou ele. Recém-chegada ao Abrigo, Ana Paula disse que ficou surpresa em saber da festa e, principalmente, pelo atendimento recebido.
O acolhido Pedro Lucas resumiu em um discurso feito aos convidados a importância e o impacto positivo de sua passagem pelo Abrigo 1. Vindo do Acre em busca de emprego, Pedro contou que, em vez de conseguir uma colocação no mercado de trabalho, encontrou o desespero de estar nas ruas até ser alcançado pelo serviço socioassistenciais.
Chegar ao Abrigo 1, ele disse que encontrou oportunidade de voltar ao caminho que sempre buscou: emprego. “Na rua a gente vai se revoltando com as questões das desigualdades sociais, com os preconceitos. Aqui, encontrei emprego. Entrei numa faculdade. Agora, tenho um caminho a seguir”, disse ele.
Impacto
Paralelamente, o Abrigo 1 tem uma oferta contínua de oficinas socioeducativas e ações de formação humana fortaleceu competências pessoais, vínculos comunitários e perspectivas de reinserção social. Para o coordenador do local, Rodrigo Trindade, esses resultados evidenciam a efetividade do serviço na superação das situações de vulnerabilidade e risco social, demonstrando que o acolhimento institucional, quando desenvolvido de forma articulada, interdisciplinar e centrada na garantia de direitos, produz impactos concretos na autonomia, na inclusão social e na construção de novos projetos de vida.
Ao ser questionado se equipamento pode ser considerado uma referência em acolhimento de pessoas em situação de rua, Trindade não exita em afirmar: “estamos nos consolidando como uma referência em boas práticas na Proteção Social Especial de Alta Complexidade, reafirmando o papel da assistência social como política pública de promoção da cidadania, da dignidade humana e da inclusão social”, disse ele.
Para a gerente de Proteção Social Especial de Alta Complexidade da Semas, Anacyrema Silva, o Abrigo I é um serviço que presta um atendimento de excelência, buscando promover a reconstrução de trajetórias de vida por meio de atendimento técnico qualificado, desenvolvimento da autonomia e garantia do acesso a direitos.
Carla Scardua, secretária de Assistência Social de Vitória explica que o Abrigo 1 é um marco no trabalho social com pessoas em situação de rua e reforça o compromisso da gestão, dos trabalhadores do Sistema Único da Assistência Social (Suas) e de Segurança Alimentar e Nutricional (San) com a proteção, garantia de direitos sociais e bem-estar dos acolhidos.
Atendimento individualizado
O Abrigo l tem como objetivo o acolhimento das pessoas em situação de rua. Por lá, elas têm a oportunidade de ressignificar suas vidas, enquanto cidadãos, por meio do atendimento individualizado, onde suas histórias são preservadas e dentro de uma metodologia dialógica, democrática e em consonância com as legislações em vigor.
As ações são implementadas e contextualizadas numa jornada pedagógica, potencializam as ações coletivas e procuram garantir a individualização de cada sujeito, propiciando a superação da situação de rua em um novo contexto de integração à sociedade. Fora esse atendimento diário, os usuários recebem atendimento com psicólogos e assistente sociais. Eles recebem ajuda com documentação civil e inserção em serviços de saúde da rede pública municipal.
O espaço possui sala multiuso, sala para escolarização, brinquedoteca, biblioteca, recepção, escritório, sala coordenação, sala cuidadores sociais, dormitórios, sala para equipe psicossocial, salas para atendimentos individuais, cozinha, depósitos, refeitório, guarda volume, banheiro para funcionários, banheiros para usuários (masculino e feminino), banheiro acessível para pessoas com deficiência e área de lazer interna e externa, horta, jardins e estacionamento.
O volume de atendimento representou a oferta de 3,8 mil refeições no primeiro ano de funcionamento, saltando para 4.080 refeições, no segundo ano. Atualmente, a oferta é de mais 12.000 refeições. A elevação no número de refeições reflete o aumento na oferta de vagas que saltou de 40 para 50. Os usuários fazem cinco refeições (café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia) todos os dias.
Mais do que o sucesso dos números alcançados, a equipe do Acolhimento quer celebrar as vidas que já passaram pelo abrigo e as que permanecem por entenderem o processo e aceitarem seguir o plano individual de atendimento elaborado pela equipe técnica – composta por gestor, equipe técnica multidisciplinar e educadores.




