Centro Pop Continental utiliza oficina de costura como ferramenta para superação da situação de rua
“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Os versos da música de Geraldo Vandré lembram que a oportunidade de transformação depende de iniciativas concretas. É exatamente com esse propósito que o Centro de Referência para População em Situação de Rua (Centro Pop) Continental iniciou a oficina de costura para as mulheres que participam das ações diárias no espaço, como mais uma oportunidade de geração de renda e inserção no mundo do trabalho.
De acordo com a coordenadora do espaço, Elisabeth Bretas, a oferta desta oficina nasceu da proposta que mostra que o acolhimento ganha ainda mais força quando se apoia em ações para transformar o tempo ocioso das munícipes em intervenções capazes de apresentar uma nova perspectiva de futuro.
“A oficina é mais uma ação estratégica e planejada com objetivo de oferecer ferramentas para que elas resgatem sua autonomia e reconstruam seus projeto de vida longe das ruas. A oficina capacita as participantes na produção de peças de vestuário e pequeno reparos”, detalhou a coordenadora.
Uma das participantes mais dedicadas era Janine Alves dos Santos. Desde o primeiro contato com os tecidos e com as máquinas de costura, ela demonstrou interesse em criar peças elaboradas e ricas em detalhes. Janine afirma que a atividade faz muito bem para a sua rotina.
A munícipe Temis Salvador decidiu pegar o tecido de uma cortina antiga para confeccionar uma saia. Ela explicou que a oficina ensina a transformar itens em desuso em peças úteis. Para ela, o tempo dedicado ao aprendizado ajuda a afastar pensamentos negativos e funciona como uma ferramenta real para a superação da condição de rua.
Temis ressaltou ainda a necessidade de a sociedade conhecer de perto o trabalho desenvolvido no Centro Pop. “Tem muita gente que acha que é entra aqui, comer e dormir. Mas não é só isso. A gente tem oportunidade de descobrir e desenvolver habilidades. Oferece oportunidades que não encontramos nas ruas”, relatou ela.
A afirmativa de Temis emocionou a coordenadora que acrescentou: “É muito gratificante ver a Themis Salvador se permitindo e animada, participando da oficina. Ela chegou aqui sendo um caso bem desafiador e, agora, ver essa transformação dela — nos deixando agir na sua reconstrução e se permitindo viver as oportunidades que o Centro Pop oferta é maravilhoso. Isso nos faz perceber que estamos no caminho certo. A adesão é voluntária, nada é forçado”, comentou Elisabeth.
Habilidade esta que foi notada pela oficineira, Samara Eliza, que relatou os resultados já registrados nas primeiras horas da oficina. “Elas tem mostrado interesse, habilidade, o que é o primeiro passo para que elas avancem no aprendizado. Isso, com certeza, vai contribuir para que conquistem autonomia e avancem até em direção ao mercado de trabalho formal”, disse a oficineira.
Outra munícipe, Eliana de Souza Cardoso, apontou que a oficina está ajudando a aliviar a rotina exaustiva e o estresse diário da vulnerabilidade social. Ela contou que descobriu uma capacidade que nem ela mesma acreditava possuir e que agora se sente alegre e produtiva. Para Débora dos Santos Oliveira, o aprendizado está funcionando como uma “terapia”. Ela comentou que o ato de costurar reduz a ansiedade e diminui o estresse acumulado.
A coordenadora dos Centros Pop de Vitória, Fernanda Ferreira, reforçou o papel da unidade na busca da autonomia dos atendidos. “O nosso objetivo principal é garantir o direito social ao desenvolvimento integral, fornecendo as ferramentas necessárias para que cada pessoa encontre o seu próprio caminho para sair das ruas”, ressaltou ela.
A secretária de Assistência Social de Vitória, Carla Scardua, fez questão de enfatizar o compromisso com inclusão da população em situação de rua. “Investir em oficinas e no fortalecimento das nossas unidades de atendimento é consolidar o direito social como uma realidade acessível, garantindo que o município ofereça oportunidades reais de superação e autonomia”, concluiu Carla Scardua.








