Centro Pop cria horta comunitária e se prepara para primeira colheita
A famosa máxima poética que diz “nesta terra, em se plantando, tudo dá” ganha um significado prático e social no coração de Vitória. O Centro de Referência para Pessoa em Situação de Rua (Centro Pop) Centro celebra a germinação das primeiras sementes plantadas na horta comunitária do local. A iniciativa conta com a participação ativa dos usuários do serviço e ocorre sob a supervisão da educadora ambiental e oficineira Ana Clara Scardini.
A estrutura foi montada a partir do reaproveitamento de materiais recicláveis da própria unidade, como copos, paletes e garrafas pet, além de sementes de alimentos utilizados na cozinha. De acordo com a supervisora do Centro Pop, Bruna Piovezan Salvador, a implementação desse espaço demonstra como o acesso a atividades produtivas e ao convívio coletivo é fundamental para apoiar os munícipes no processo de superação da vulnerabilidade extrema.
Esse impacto positivo já está refletindo na trajetória de Carlos Eduardo Rodrigues Souza, de 25 anos, 20 últimos dele vividos em situação de rua. Ele contou que o convite para participar da organização da horta trouxe de volta boas lembranças da infância vivida em Jaguaré, cidade no interior do Estado.
Carlos Eduardo contou que nasceu na roça e que esse contato com a terra está fazendo muito bem para a sua rotina. Ele disse que aprender sobre a importância do reaproveitamento e o cultivo trouxe conhecimento mais profundos para a vida, permitindo foco no presente. Carlos Eduardo declarou, emocionado, que ver as plantas crescendo vem trazendo felicidade e resgatando um conhecimento que ele já possuía.
A educadora ambiental e oficineira Ana Clara Scardini destacou que a horta funciona como um instrumento de redução de danos e de ansiedade. Ela explicou que a atividade promove o bem-estar, o alívio das pressões diárias, a descontração e a troca de conhecimentos, evidenciando o valor do trabalho coletivo.
A horta foi uma construção conjunta após debates com os usuários sobre a importância do cultivo para o meio ambiente, a produção de alimentos e o uso de plantas medicinais. O primeiro passo envolveu a montagem de composteiras e o plantio de mudas. A educadora comentou que a compostagem serviu para demonstrar o enriquecimento do solo e a viabilidade de criar espaços produtivos.
Hoje, o local já exibe espécies como cidreira, alecrim, ora pro nobis, cana de macaco, cavalinha, carqueja que foram doadas pelo viveiro do Parque Municipal de Tabuazeiro e pimenteiras doadas pelo Restaurante Popular de Vitória. Além de conta com a parceria das manipuladoras de alimentos da cozinha do Centro Pop na separação dos restos orgânicos.
A supervisora do Centro Pop, Bruna Piovezan Salvador, ressaltou o papel transformador da ação no cotidiano da unidade. Ela afirmou que ver o envolvimento dos usuários no cuidado com a terra mostra que o serviço cumpre seu papel de acolher e oferecer novas perspectivas práticas para o dia a dia.
A gerente de Proteção Especial de Média Complexidade, Fabíola Calazans, enfatizou a importância de garantir espaços de desenvolvimento pessoal na rede assistencial. Ela explicou que a horta materializa a oferta de políticas públicas integradas que unem meio ambiente, convivência e a busca por autonomia.
A secretária de Assistência Social de Vitória, Carla Scardua, finalizou destacando o compromisso do município com a inclusão real de toda a população. A secretária declarou que garantir o acesso a essas oficinas é uma forma de assegurar o amparo social amplo e de fortalecer os vínculos institucionais e comunitários necessários para a reconstrução de trajetórias de vida.








