Festa junina leva tradição para o Abrigo 1 e garante momentos de alegria e descontração
Enfeitado com bandeirinhas, balões e outros artigos típicos, o Abrigo Institucional de Adultos e Famílias (Abrigo 1) transformou-se no cenário de um grande Arraiá Junino. A festa reuniu todos os ingredientes de uma celebração tradicional: muita comida, animação e músicas que embalaram acolhidos e convidados em um momento de confraternização, com direito a quadrilha puxada pela nutricionista Giselle Machado Souza.
O clima festivo movimentou o espaço e acolheu até mesmo quem acabou de chegar ao serviço, como Adlaine Pereira de Oliveira, de 21 anos. Há apenas duas semanas no local, ela contou que, ao saber da festa, fez questão de se arrumar a caráter para entrar no clima. “Aqui é bem legal. Me sinto bem. É tão bom que até engordei e minha mente está melhor”, disse ela.
Ao ser questionada sobre o impacto dessa acolhida em sua vida, Adlaine respondeu com a simplicidade de quem redescobriu a dignidade. “Agora, consigo enxergar um futuro. Nasci e fui criada nas ruas, mas, mesmo com pouco tempo aqui, já consigo pensar em estudar, trabalhar e ter minhas coisas”, afirmou.
Para Joares Eliotério Carvalho dos Santos, de 59 anos, a celebração representa um marco de recomeço. “Eu já estive aqui em outra época. O meu sentimento aqui, hoje, é só de alegria e gratidão. É um momento de aliviar o estresse e de união. É importante para todo mundo, tanto para nós, assistidos, quanto para a equipe que trabalha. Aqui é um paraíso”, avaliou.
Ao comparar o Abrigo 1 a um recanto de paz, Joares detalhou os impactos práticos do serviço em sua rotina. “Aqui é um lugar de acolhimento e de incentivo para voltar a estudar. Ajudam a tirar a nossa documentação e nos acompanham nas consultas ao Caps (Centro de Atenção Psicossocial). Se a gente se sente mal, temos todos os remédios, cuidado e amparo, além de conseguirmos o encaminhamento para a fila do aluguel social”, elencou.
Outra acolhida que estava em total clima de festa era Zildete Aparecida Hoffmann, de 54 anos, que se vestiu de noiva para a quadrilha. Ela se emocionou ao falar sobre o Abrigo 1, destacando que ali encontrou o apoio que faltava mesmo quando tinha uma casa. “Aqui não sinto solidão. A solidão foi o que me levou para as ruas. No abrigo tenho minhas aulas, participo das oficinas, bato papo e ocupo a mente com coisas boas e positivas. Aqui não dá vontade de ir embora”, revelou.
Entre os convidados estavam estudantes de Medicina integrantes do projeto de extensão Sal e Luz, da Emescam, que fizeram questão de participar pela primeira vez do festejo junino dentro da unidade de acolhimento. As estudantes Gabriela Arruda, de 18 anos, e Bruna Hermely, de 19 anos, comentaram que o contato com o espaço foi fundamental para desconstruir preconceitos históricos sobre a população em situação de rua. “É um aprendizado que contribui para que tenhamos um olhar mais humanizado e empático”, destacou Gabriela.
O coordenador do Abrigo 1, Rodrigo Trindade, ressaltou que o Arraiá do Abrigo 1 é mais uma ferramenta de inclusão social e de aproximação com a comunidade do entorno, fortalecendo os vínculos entre os assistidos e a sociedade.
Para a gerente de Proteção Social Especial de Alta Complexidade em exercício, Marcilea Maria Xavier Soares, essas ações são fundamentais para resgatar a autoestima de quem passou por violações de direitos. “Momentos de celebração e de convivência comunitária devolvem o sentimento de pertencimento a essas pessoas, mostrando que o abrigo é um espaço de transição, mas também de cuidado integral e de reconstrução de projetos de vida”, destacou ela.
Na opinião da secretária de Assistência Social, Carla Scardua, o arraiá materializa o verdadeiro papel das políticas públicas de assistência na cidade. “Mostrar que a proteção social vai muito além de oferecer alimentação e pernoite. Significa humanizar o atendimento, assegurar o acesso a direitos fundamentais, criar oportunidades reais para que cada cidadão em situação de vulnerabilidade possa reescrever a sua própria história”, concluiu Carla Scardua.





