Serviço de atendimento no domicílio resgata memórias afetivas e garante nova vida a atendido
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Senhor Odair Ferreira Santana com parte da equipe do SAD.
Uma viagem afetiva ao passado trouxe para o presente o ex-motorista Odair Ferreira Santana, de 82 anos. Ele é um dos munícipes atendidos pela equipe do Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Pessoas com Deficiência e Pessoas Idosas (SAD), vinculado ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do Território São Pedro I. O que para muitos pode parecer um gesto simples, representa a garantia do direito à convivência comunitária.
Para quem vive em situação de isolamento social imposta por questões de saúde, resgatar o desejo de circular pela cidade e reconstruir laços é uma conquista de proteção social viabilizada por meio do acompanhamento técnico e de atividades de educação social.
Nos atendimentos no domicílio, realizados pela equipe interdisciplinar do SAD, seu Odair revelou que trazia na bagagem complexidades que iam além das marcas do distanciamento familiar. O cotidiano era desafiador devido ao contexto de vulnerabilidade gerado por questões de saúde da esposa, Laudinéa Barboza Santana, somado à baixa mobilidade.
Durante os diálogos com os profissionais do SAD, emergiu uma memória marcante. Por muitos anos, Odair trabalhou como motorista do pintor impressionista Homero Massena, a quem se refere com profundo afeto e respeito. “Ele era um pai para mim, um grande amigo”, disse Odair.
Essa vinculação afetiva reacendeu no idoso o desejo de acessar os espaços culturais da Grande Vitória, ações que começaram a ser viabilizadas pela equipe do SAD – hoje formada pela assistente social Ana Carolina Valadares, pela psicóloga Karoline Mendes e pelo educador social Erick Mavignier de Souza.
“Ele manifestou a vontade de retornar à antiga casa do pintor, na Prainha, em Vila Velha, que hoje funciona como o Museu Atelier Homero Massena. Também compartilhou o sonho de contemplar o atual estado do Theatro Carlos Gomes, na capital, que abriga obras restauradas do artista, além do anseio de reencontrar o busto do antigo amigo, localizado no Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)”, contou a psicóloga Karoline Mendes.
Ao refletir sobre a chegada dos técnicos em sua residência, o idoso relata que o serviço proporcionou novas emoções, experiências e oportunidades que pareciam distantes. Ele recordou que, antes do convite feito pela equipe do SAD, a possibilidade de visitar esses locais não passava por seus planos devido à falta de oportunidades práticas. “A ida à casa do pintor mobilizou e sensibilizou toda a equipe, desde o motorista condutor da van adaptada até a coordenação”, recordou a psicóloga.
A esposa do Odair, Laudinéa, lembrou que a única experiência prévia do casal havia ocorrido há cerca de 35 anos, logo no início do casamento, quando visitaram o Convento da Penha e tiveram um breve contato com a história do pintor. Ao serem questionados o que o SAD representava para eles, Laudinéa se antecipou, dizendo: “Duas palavras definem a atuação da equipe do SAD e o que ela tem provocado na nossa vida: oportunidade e gratidão”.
“Eles estão trazendo essas recordações tão humanitárias, tão boas para a gente. É reviver a vida, porque ele já trabalhou com essas pessoas que eu nunca conheci e não acompanhei, pois sou casada com ele há 38 anos. Isso aconteceu bem antes. Mas tudo isso ficou na memória dele. São lembranças dele, uma recordação muito útil. É um alimento espiritual que renova as pessoas em volta”, declarou.
Karoline explica que a atuação do SAD demonstra que a Assistência Social atua de forma abrangente, promovendo o desenvolvimento da autonomia e a superação de vulnerabilidades.
A supervisora do SAD, Jhienifer Virginio Barbosa, destaca que a chegada da equipe nos lares permite identificar demandas invisibilizadas e construir respostas integradas às necessidades dos atendidos. Conforme explica a profissional, o trabalho no domicílio vai muito além da identificação de situações de riscos, pois atua na ativação das potencialidades dos sujeitos e na costura de novas redes de apoio social e afetivo.
A gerente de Atenção à Família, Juliana Moura, reforça que intervenções dessa natureza evidenciam o impacto social da Proteção Social Básica quando direcionada ao fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Segundo a gerente, o papel das equipes do SAD consiste em tensionar as barreiras do isolamento social, assegurando que o envelhecimento seja vivenciado com amplo acesso a direitos e plena inserção comunitária.
A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, reitera o compromisso do município com a consolidação dos direitos sociais, assegurando a transformação social. Carla frisou que o atendimento domiciliar consolida uma vertente emancipatória da Assistência Social, que ultrapassa por exemplo a transferência de benefícios financeiros mas articulado sempre a um serviço socioassistencial “Garantir que cidadãos como o seu Odair ocupem as ruas e acessem os patrimônios históricos locais é a materialização de uma política pública justa, inclusiva e verdadeiramente transformadora”, enfatiza.
SAD em números
Desde sua implantação, o SAD já realizou 6.899 atendimentos individualizados, sendo 5.245 voltados a pessoas em acompanhamento contínuo. De janeiro até o momento, o serviço realizou 1.212 atendimentos. Esse número representa 404 pessoas atendidas, sendo 246 acompanhadas continuamente. O balanço inclui 303 famílias assistidas, 166 pessoas com deficiência e 192 idosos acompanhados. Os dados apontam ainda 22 registros de violações de direitos e 38 de desproteções sociais identificadas e tratadas no território.
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Senhor Odair Ferreira Santana durante visita ao museu Homero Massena.
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Senhor Odair Ferreira Santana durante visita ao museu Homero Massena.





