Setor brasileiro de rochas naturais defenderá exclusão de tarifas em audiência do governo dos Estados Unidos

Setor brasileiro de rochas naturais defenderá exclusão de tarifas em audiência do governo dos Estados Unidos

Centrorochas participará de audiência pública do USTR, em Washington, para demonstrar a importância das rochas brasileiras para a indústria americana e os impactos econômicos das medidas tarifárias.

A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) participará, no próximo dia 6 de julho, em Washington (EUA), da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir os impactos das medidas tarifárias em análise no âmbito da Seção 301 da legislação comercial norte-americana. A entidade será representada pelo vice-presidente, Fábio Cruz.  

A audiência faz parte da investigação conduzida pelo governo americano sobre a adoção de novas tarifas de importação e reunirá representantes de empresas, associações e organizações interessadas em apresentar argumentos diretamente às autoridades dos Estados Unidos. Ao todo, 85 participantes foram habilitados para esta etapa do processo.  

A participação da Centrorochas integra uma estratégia de defesa comercial e diplomacia institucional iniciada em julho de 2025, quando surgiram as primeiras discussões sobre a adoção das medidas tarifárias. Desde então, a entidade vem articulando empresas brasileiras, importadores, distribuidores e representantes da cadeia produtiva norte-americana na defesa da manutenção do livre fluxo comercial entre os dois países.  

Durante a audiência, a associação apresentará argumentos que demonstram que as rochas naturais brasileiras são fundamentais para a competitividade da indústria americana. Segundo a entidade, aproximadamente 99,9% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos são compostas por chapas semimanufaturadas, utilizadas por empresas americanas nos processos de transformação, acabamento, distribuição e instalação de produtos para os mercados residencial e comercial.  

Os números reforçam a relevância dessa relação comercial. Em 2025, o Brasil exportou US$ 795 milhões em rochas naturais para os Estados Unidos, principal destino internacional do setor, totalizando cerca de 587 mil toneladas de materiais empregados principalmente na fabricação de bancadas, revestimentos e outras aplicações de alto padrão.

A Centrorochas também destacará que diversos materiais brasileiros não possuem substitutos equivalentes no mercado americano, o que pode provocar aumento nos custos da construção civil, da habitação e dos investimentos em toda a cadeia de suprimentos caso as tarifas sejam implementadas.  

O posicionamento brasileiro conta ainda com o apoio de importantes representantes do setor nos Estados Unidos, como o Natural Stone Institute (NSI), principal entidade da indústria de rochas naturais do país, além das empresas Pacific Shore Stones e Quality Marble & Granite, que reforçaram ao USTR a importância estratégica das rochas brasileiras para o mercado norte-americano e alertaram para os impactos econômicos das tarifas.  

Para o vice-presidente da Centrorochas, Fábio Cruz, a participação na audiência representa mais um passo no trabalho desenvolvido pela entidade para demonstrar que as rochas naturais brasileiras complementam — e não concorrem com — a produção doméstica dos Estados Unidos.

“As rochas naturais brasileiras não representam uma ameaça à produção doméstica americana. Pelo contrário, complementam uma cadeia produtiva que gera empregos, investimentos e renda em diversos estados dos Estados Unidos. A exclusão do setor das medidas propostas está alinhada aos interesses econômicos da indústria americana e contribui para preservar a competitividade das empresas que dependem desses materiais e evitar custos adicionais aos consumidores”, afirma Fábio Cruz.  

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