Cras São Pedro II promove mostra de cinema para famílias acompanhadas pelo serviço
Foto Divulgação
Cine Cras no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Judite Francisca Venâncio da Silva – Território São Pedro II.
Foto Divulgação
Cine Cras no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Judite Francisca Venâncio da Silva – Território São Pedro II.
“A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte”. Os versos cantados pela banda Titãs definem de forma bem clara o desejo e necessidade de todas as pessoas. Por isso, a equipe do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Judite Francisca Venâncio da Silva – Território São Pedro II – promoveu o Cine Cras, uma mostra de filmes voltada às famílias acompanhadas pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif).
O espaço foi um dos pontos de exibição credenciados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC). Com o tema “Direitos humanos e emergência climática: rumo a um futuro sustentável”, a curadoria da mostra, realizada na última quinta-feira (18), reuniu produções de realizadores indígenas, quilombolas e ribeirinhos. A seleção evidenciou a conexão direta entre justiça ambiental, diversidade cultural e a garantia de direitos sociais.
Das quatro produções exibidas, o documentário “Lugar de Toda Pobreza”, que retrata a história do território de São Pedro, comoveu o público. Muitos dos presentes nasceram ou se mudaram para a região no início do processo de ocupação. Entre os adolescentes do Centro de Convivência, as imagens da década de 1990 causaram forte impacto. A maioria nunca tinha visto registros da época e poucos conheciam o passado do bairro de forma tão profunda.
“Fiquei surpreso. Não imaginava que fosse assim tão precário, com tanto lixo e as pessoas ali misturadas. Meu pai é dessa época e já tinha me falado, mas ver é outra coisa, muito mais chocante”, comentou o adolescente Ravé dos Santos Boa, de 14 anos. Ao ser questionado sobre o sentimento que dominava aquele momento, ele foi categórico: “Orgulho. Estou sentindo muito orgulho da luta dos moradores e do que conseguiram fazer para mudar aquela realidade”.
Andreia Maria Cordeiro, de 40 anos, não conteve as lágrimas. Ao final da exibição, ela destacou que ver a transformação do lugar é motivo de orgulho para toda a comunidade. Para ela, o filme mostra que a população local sempre lutou por dignidade e por um futuro melhor para suas famílias.
“Aqui está a prova de que não queremos ficar na mesmice. Não somos acomodados. Somos fruto da resistência daquelas pessoas. Por isso, digo que é uma honra representar e fazer parte deste bairro”, afirmou Andreia.
O psicólogo do Cras, Antônio Juvenal, enfatizou que a iniciativa reforça o papel do equipamento público como um garantidor de cidadania e transformação social. “Hoje, as famílias estão usufruindo do direito de acesso à cultura e à arte. As famílias precisam saber que o Cras São Pedro II também é um espaço de lazer e conhecimento”, explicou.
Segundo o profissional, desmistificar o papel do Cras é fundamental para aproximar a comunidade. “O Cras precisa ser entendido como um espaço para além das burocracias e da liberação de benefícios. É um local de acesso a direitos e de fortalecimento de vínculos, um espaço onde as pessoas queiram estar. Um lugar para verem outras histórias e construírem novos caminhos. Hoje, eles puderam ver o documentário e enxergar que este território é muito potente, compreendendo também a importância da sua preservação ambiental”, pontuou.
O Cine Cras acontece mensalmente na unidade, abrindo espaço para debates sobre mobilização social, combate à violência contra crianças e adolescentes e a defesa dos direitos da pessoa idosa. Além de exibição dos filmes, é feita uma roda de conversas com o grupo sobre as produções. Ontem, a roda foi conduzida pela assistente social Goreti Celestino.
A nível nacional, a articulação também é celebrada. Segundo Adriana Gomes, coordenadora de Políticas de Cineclubes, Educação e Festivais da Secretaria do Audiovisual do MinC, “exibir e debater filmes é um processo de formação da consciência crítica. O MDHC e o MinC têm feito esse trabalho de forma consistente, alcançando quem mais precisa na ponta”.
Para a diretora substituta de Promoção dos Direitos Humanos do MDHC, Cândida Souza, o cinema atua como uma ferramenta viva de transformação. “Quando juntamos cinema com direitos humanos, estamos falando de narrativas e de histórias que conectam as pessoas de uma forma diferente. Aqui em Brasília, construímos a política pública, mas é no território que esses direitos humanos, de fato, se realizam”, afirmou.
A gerente de Atenção à Família da Secretaria de Assistência Social de Vitória (Semas), Juliana Moura, destacou o impacto direto dessas ações na rotina e na autoestima das famílias atendidas. “Levar o cinema e a reflexão histórica para dentro do Cras é uma forma de devolver a essas famílias a sua própria identidade e o orgulho de sua trajetória. O Paif não cuida apenas das vulnerabilidades materiais, mas também do fortalecimento emocional e social de cada morador”, ressaltou.
A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, reforçou o compromisso do município em expandir o conceito de assistência no território. “A verdadeira assistência social se faz quando unimos a segurança alimentar ao acesso à cultura, ao lazer e à memória histórica. Garantir que a comunidade de São Pedro ocupe esses espaços de debate é consolidar o direito pleno à cidadania e mostrar que toda família tem o direito de prosperar com dignidade”, concluiu.
Foto Divulgação
Andréia se emociona ai final da exibição do filme.
Foto Divulgação
Cine Cras no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Judite Francisca Venâncio da Silva – Território São Pedro II.




